IA

IA: limpando o lixo orbital da sua empresa

Tem lixo orbitando a sua empresa, vai por mim!

IA: limpando o lixo orbital da sua empresa

A Síndrome de Kessler nasceu no campo da astrofísica como uma hipótese inquietante: em determinado ponto, a quantidade de objetos em órbita da Terra se torna tão grande que uma colisão isolada passa a gerar uma reação em cadeia. Fragmentos atingem outros satélites, que se fragmentam ainda mais, até que a órbita próxima ao planeta se transforme em um campo de destroços, inviabilizando novos lançamentos e degradando um espaço que antes parecia infinito e seguro.

Durante muito tempo, essa ideia pertenceu apenas ao imaginário científico. Mas, olhando para o mundo recente, é difícil não perceber que algo semelhante ocorre fora da atmosfera — e que seus efeitos já atravessaram a fronteira do espaço político e atingiram o ambiente corporativo.

A geopolítica contemporânea vem acumulando choques sucessivos: a guerra na Ucrânia, a escalada do conflito entre Gaza e Israel, a reorganização das cadeias globais de suprimento e, sobretudo, a adoção de posturas mais agressivas e imprevisíveis por lideranças globais. Tarifas impostas como armas diplomáticas, ameaças territoriais, discursos que tensionam alianças históricas. Cada evento, isoladamente, poderia ser administrável. O problema surge quando eles começam a colidir entre si.

Nesse ponto, a metáfora orbital se impõe. Cada atrito diplomático gera “detritos”: incertezas regulatórias, volatilidade cambial, rupturas logísticas, insegurança jurídica. Esses fragmentos não ficam confinados aos países diretamente envolvidos. Eles se espalham pela atmosfera próxima de todos os negócios, atingindo empresas que, à primeira vista, sequer participam do conflito.

O executivo percebe isso quando um insumo básico deixa de chegar, quando um contrato internacional passa a exigir cláusulas de risco antes impensáveis, quando um planejamento de longo prazo precisa ser revisto a cada trimestre. O conselho sente quando indicadores tradicionais deixam de explicar o desempenho, e decisões passam a ser tomadas mais por contenção de danos do que por estratégia.

Assim como no espaço, o perigo maior não está no primeiro impacto, mas na reação em cadeia. Um aumento tarifário provoca retaliação, que pressiona custos, que gera inflação, que altera políticas monetárias, que afeta crédito, consumo e investimento. O ambiente de negócios vai se enchendo de fragmentos invisíveis, tornando cada movimento mais arriscado. Lançar um novo projeto, expandir para outro mercado ou apostar em inovação passa a exigir cálculos quase orbitais.

Nesse cenário, empresas que operam como se o espaço estivesse limpo — confiando apenas em eficiência interna e indicadores clássicos — tornam-se vulneráveis. A gestão moderna precisa incorporar a leitura do “lixo geopolítico” acumulado ao redor do negócio. Não se trata de prever o próximo choque, mas de reconhecer que o ambiente já está saturado de riscos interconectados.

A notícia é que, assim como na ciência espacial, há estratégias de mitigação. Diversificação real de mercados, cadeias de suprimento menos concentradas, inteligência geopolítica integrada à estratégia e, sobretudo, liderança capaz de navegar a incerteza sem recorrer ao improviso constante.

Ignorar a Síndrome de Kessler corporativa é apostar que nada vai colidir. Reconhecê-la é aceitar que o mundo dos negócios deixou de orbitar em um vácuo estável — e que sobreviver, agora, exige muito mais do que bons motores. Exige consciência do espaço ao redor.

==========================================================

Pontos importantes:

O texto acima foi desenvolvido utilizando o conceito contido no livro Cointeligência: A vida e o trabalho com IA, sobre o qual eu escrevi um artigo tempos atrás https://asaconsultiva.com/ia-te-chamando-para-dancar/

Eu não premeditei desenvolvê-lo com IA, isso fluiu naturalmente, pois como as inter-relações que eu me propus a fazer (lixo orbital, geopolítica e mundo corporativo) eram complexas, criei um roteiro para mim mesmo antes de escrever o artigo, então…

Roteiro

  1. A síndrome de kessler é uma teoria do caos orbital, criada por Kessler em 2009. Ela fala sobre os objetos que orbitam a terra e que, em momentos específicos, inclusive já registrados na história recente, se chocam, espalhando os fragmentos da colisão pelo espaço, numa camada próxima da terra.
  2. A geopolítica nos últimos anos, com o início da guerra da Ucrânia, depois a intensificação dos conflitos entre Gaza e Israel, e sobremaneira após a posse de Donald Trump com suas determinações sobre taxação de produtos, invasão da Venezuela e ameaças de anexação da Groenlândia, mexeu na estrutura global.
  3. Eu quero associar os itens (1) e (2), onde o primeiro é uma metáfora do segundo, no sentido de que choques diplomáticos citados no segundo, principalmente na conduta de Donald Trump, espalham lixo pela atmosfera próxima de todos os países do mundo, criando um clima tenso e de risco de degradação do planeta.
  4. Essa mistura dos itens (1) e (2) descrita no item (3) deve ser transposta para o ambiente empresarial, trazendo os itens/indicadores/elementos de risco em função do que está descrito no item (2).
  5. Agora desenvolva: (a) uma imagem que represente essa composição descrita nos itens de 1 a 4 e (b) um artigo, tipo uma crônica corporativa, utilizando os elementos que passam pelo descrito nos itens entre 1 e 4, com leitura de aproximadamente 3 minutos.

Quando finalizei o roteiro (eu gostei muito dele, confesso) tive a mesma sensação que sempre me ocorreu ao longo da minha caminhada de executivo, consultor, mentor ou conselheiro: o insight, as interconexões, o caminho e o ponto de chegada estão prontos, agora eu posso escolher quem do time tem o talento para executar cada uma das partes (mesmo que seja eu mesmo, em personagens distintos para alguma das tarefas)!

Precisava de uma imagem e distribuí para ChatGPT, Perplexity e Copilot, que comentaram comigo a complexidade do briefing passado, inclusive elogiando a formulação. Quem se saiu melhor foi Perplexity, e apesar de eu não ter ficado completamente satisfeito, aprovei o job, pois estava no limite da entrega, então melhor o feito do que o perfeito. Testei limites de parte do time.

Sobre o artigo, ChatGPT e Perplexity trabalharam duro, produzindo, respectivamente, o primeiro artigo e o que vem abaixo. Fiz ajustes pontuais em cada um, pois a revisão é intrínseca ao processo, mesmo em equipes de alta performance!

Me digam quem é o melhor funcionário do mês, votação aberta!

============================================================

Órbitas em Colisão

Em 1978, Donald Kessler lançou uma hipótese inquietante: o espaço ao redor da Terra poderia um dia se tornar um cemitério em órbita, um campo minado de detritos se chocando numa sucessão de impactos. Cada colisão, dizia ele, multiplicaria o número de fragmentos e aumentaria o risco de novas pancadas — um ciclo de destruição exponencial que chamamos hoje de Síndrome de Kessler.

Curiosamente, esse mesmo fenômeno parece ter escapado das órbitas espaciais e pousado sobre os escritórios corporativos da Terra.

Nos últimos anos, assistimos à multiplicação de choques geopolíticos — guerras, sanções, disputas comerciais e rupturas diplomáticas. Desde a guerra na Ucrânia até as chamas de Gaza, passando por um período em que Donald Trump transformou a taxação de produtos e o isolamento político em armas econômicas, o mundo corporativo percebeu: não existem colisões que fiquem apenas “no espaço”. Cada impacto entre nações lança fragmentos invisíveis de incerteza que começam a orbitar as empresas — e, pouco a pouco, contaminam cada tomada de decisão.

Esses fragmentos são novos riscos operacionais: cadeias de suprimento quebradas, volatilidade cambial, crises energéticas, desinformação em massa, retração de investimento. Cada empresa, por mais local que pareça, vive dentro dessa camada de detritos globais que pesa sobre o mercado como uma nuvem de partículas em constante atrito.

Dentro desse cenário, os líderes organizacionais são como engenheiros de voo tentando pilotar satélites em meio a destroços. A habilidade mais valiosa já não é expandir órbitas, mas manter a estabilidade, antecipar colisões e ajustar rotas antes que o impacto aconteça. A boa governança, a leitura de cenários e o equilíbrio emocional da liderança passam a valer tanto quanto o capital financeiro, porque o que está em jogo é a capacidade de resistir ao caos, não apenas de crescer em meio a ele.

A Síndrome de Kessler, na metáfora corporativa, não é o acúmulo de satélites no espaço, mas o excesso de decisões reativas — as respostas impulsivas a cada nova crise global, cada novo “conflito Trumpiano” de políticas imprevisíveis. Cada resposta precipitada deixa um rastro de fragmentos internos: processos redundantes, comunicação truncada, medo organizacional, e, às vezes, a perda da confiança — o recurso mais escasso do nosso tempo.

Assim, o principal desafio das empresas não é escapar das colisões inevitáveis, mas reduzir a geração de novos fragmentos. É criar ecossistemas corporativos menos dependentes de impulsos externos e mais regidos por princípios claros: cooperação em vez de competição cega, visão de longo prazo em vez de oportunismo, sustentabilidade acima de hegemonia.

Porque, no fim das contas, o lixo espacial que circula acima de nós é apenas o reflexo do lixo simbólico que produzimos aqui embaixo — reações sem reflexão, poder sem propósito, velocidade sem direção.

E talvez o verdadeiro futuro das organizações não esteja em lançar mais satélites, mas em aprender a limpar a própria órbita.

Se sua PME já tem isso resolvido, parabéns!

Caso contrário, vem voar com a gente. Resultados reais para PMEs que ousam crescer.

Acesse linkedin.com/in/anselmobrigantini para fazer comentários e saber mais sobre nós.

Leia também

Consultoria

Como Bons Amigos

Você tem um ecossistema de sustentação e apoio profissional para suportar as ambições do seu negócio?

Ler mais

Consultoria

O som da operação logística

Sua operação logística está ruidosa? Que bom se a resposta for sim!

Ler mais

Transformação Digital

O varejo do Vovô, repaginado

Se em 2017 esse pequeno varejo já estava realizando todo o sonho da transformação digital, o que você está esperando?

Ler mais