Mentoria e Aconselhamento

Nietzsche no conselho da sua empresa

Já te falaram quais são as verdades sobre o que sua empresa precisa fazer para evoluir? Tens ousadia para ouvir?

Nietzsche no conselho da sua empresa

Eu demorei mais de 50 anos para fazer minha primeira tatuagem. Minha esposa e minha filha já haviam feito há muito tempo, e eu queria testar a experiência. Mas na minha cabeça tatuagem é coisa séria, não dá para passar uma borracha no dia seguinte, tem que ser algo que represente pelo menos parte daquilo que você é e acredita. Como as marcas das empresas, a marca na pele precisa ter um significado (“A menor das coisas com significado tem mais valor do que as maiores coisas sem significado”, Carl Gustav Jung).

Fiquei revirando o significado das coisas da minha vida, e uma frase não saia da minha cabeça, pois virou um mantra instalado na minha mente, espécie de conselho despejando uma química poderosa no meu cérebro e me fazendo tomar decisões importantes ao longo da minha história.

“Quanta é a verdade que um espírito suporta, quanta é a verdade que ele ousa?” me fez sentir a vibração da agulha pela primeira vez.

Comecei a perceber que essa provocação Nietzschiana (Friedrich_Nietzsche) fazia muito sentido em projetos de transformação digital que comecei a conduzir nos últimos aproximadamente 10 anos. As evidências sobre o que era preciso ser feito, após os longos períodos de assesment entendendo desde a cultura até os processos de cada área, eram tratadas de formas distintas em cada empresa, de acordo com o entendimento do cenário apresentado e a coragem de tomar decisões duras, porém necessárias, nos momentos onde a escolha da direção poderia inflexionar sucesso ou perda de posicionamento, competitividade e conexão com os seus consumidores.

Em projetos mais longos, sobremaneira em empresas de dono, onde a atuação de mentor das mudanças abre espaço para os aconselhamentos, fica evidente o funcionamento do aforismo Nietzschiano, com uma pequena mudança, substituindo espírito por empresa.

“Quanta é a verdade que uma empresa suporta, quanta é a verdade que ela ousa?” passou a ser a minha forma de olhar, a cada entrega, quais eram as decisões tomadas, utilizando os seguintes critérios:

Verdade suportada:

· Entendimento inequívoco e lúcido sobre o que precisa ser feito;

· Consciência das consequências sobre as decisões não tomadas a partir das verdades entendidas;

· Maturidade para priorizar as ações e investimentos e estabelecer a governança necessária para fazer a gestão das mudanças;

Nessa fase, nos casos em que a verdade é realmente suportada, há reações muito distintas dos tomadores de decisão, pois a cultura empresarial (valores, crenças, comportamentos, atitudes,  práticas) começa a delinear como a segunda parte do aforismo será encarada.

Verdade ousada:

· Coragem para admitir que não há caminhou possível diferente de executar o que se entendeu inevitável;

· Sensibilidade para uniformizar o entendimento da verdade ousada com todos os tomadores de decisão (aqui já nasceu uma liderança, tácita ou explícita, para desempenhar esse papel);

· Competência para construir o ecossistema suficiente para percorrer as transformações, desde a cultura até os processos de negócios e seus componentes típicos;

E nesse momento Nietzsche olha para os convivas, todos ao redor da mesa imponente de mármore, café, água e deliciosos quitutes espalhados, dá a sessão do conselho por encerrada, se levanta sem proferir nenhuma palavra e inicia a caminhada em direção a porta de saída, momento em que se dá a seguinte troca:

– CEO: Nietzsche, não há nenhuma ponderação, orientação ou algo do tipo sobre a nossa reunião de conselho?

– Nietzsche: Meu caro, “não é a dúvida, e sim a certeza que enlouquece”.

Anos depois, na mesma mesa imponente, eles comemoravam um projeto de sucesso, onde as dimensões de clientes, competição, inovação, valor e dados foram tratadas sem loucura, pois o mundo dos negócios não suporta esse estado de espírito.

Se sua PME já tem isso resolvido, parabéns!

Caso contrário, vem voar com a gente. Resultados reais para PMEs que ousam crescer.

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Principais fontes bibliográficas para esse artigo:

1. Ecce Homo, F. Nietzsche – editora L&PM

2. O significado da marca, Mark Batey – editora best business

3. Transformação Digital, David L. Rogers – editora autêntica business

4. Holacracia, Brian J. Robertson – editora Benvirá

5. Símbolos da Transformação, Jung – editora Vozes

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