A ficção nos ensinando sobre os dados
Está preparado para receber uma lição de gestão por dados de um dono de bodega do interior da Hungria?
Eu acredito muito na construção da visão de negócios apoiada na multidisciplinariedade, pois normalmente ela provoca uma suspensão prévia nas decisões, exatamente pela diversidade de perspectivas que oferece, mas depois deixa a cognição mais rica e possibilita decisões mais assertivas, pois permite uma quantidade maior de questionamentos vindos de lugares diferentes.
Parece complexo, mas é igual andar de bicicleta: um pouquinho de treino, tombos divertidos e depois o ato de “percorrer os corredores”, da vida e da empresa, fica cada vez mais interessante e integrado, pois a paisagem começa a entregar novos e distintos significados para coisas nunca percebidas antes, apesar de sempre terem estado por lá.
Em novembro de 2022, quando soube do lançamento no Brasil do primeiro livro de László Krasznahorkai (SátánTangó), ganhador do nobel de literatura no início do mês, não hesitei em comprá-lo. Eu o li em 2024, e foi o meu livro do ano, pois sempre escolho os três que mais me impactaram e escrevo uma resenha sobre eles. Em 21.04.25 postei no meu insta:
“num labirinto modernista nos conduz pela mente manipuladora de um ser inexplicável, numa atmosfera de embate político e personagens desajustados”
A caminho do Nobel
Quando vi, surpreso, que László havia sido escolhido, fui folhear o livro e rever o rastro deixado por mim, em anotações e conexões que faço de forma rigorosa em minhas leituras.
Há diversos trechos que se passam numa bodega, no meio de um assentamento húngaro, quando ocidente e oriente ainda dividiam o mundo, cujo dono do estabelecimento era constantemente explorado pelo personagem central, que consumia os produtos sem pagá-los. Numa crise de ira, o dono do estabelecimento se recolhe, muito furioso, para se acalmar revendo sua contabilidade, que ele controlava de forma compulsiva, pois isso o ajudava a acalmar o espírito. Então László escreve sobre a lógica do taberneiro:
“…porque nos números havia uma evidência misteriosa, uma simplicidade nobre desprezada com certa ingenuidade, e entre os dois conceitos se formulava um saber capaz de provocar calafrios na espinha: há perspectivas!…os números começavam a significar cada vez mais para ele…quanto mais sentidos os números transmitem, tanto mais eu cresço”
Imediatamente me lembrei de dois projetos que conduzi, de naturezas idênticas, onde houve desenho de arquitetura sistêmica, arquitetura de dados, construção de CDP (Customer Data Platform), de ambientes de manipulação e interpretação de dados para geração de insights de negócios visando segmentação rigorosa e hiperpersonalização de conteúdos para melhorar os indicadores de funil de conversão e o NPS (Net Promoter Score), só para citar alguns dos objetivos de negócios dos projetos.
Um deles foi um fracasso, ficou pelo caminho.
O outro se transformou num case mundial. Esses leram Satántangó, de László Krasznahorkai, antes dele ganhar o Nobel de Literatura.
Se sua PME já tem isso resolvido, parabéns!
Caso contrário, vem voar com a gente. Resultados reais para PMEs que ousam crescer.
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Anselmo Brigantini